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sábado, 19 de agosto de 2017

Malabaristas

 É útil questionarmos a origem e eventual evolução semântica dos termos que queremos utilizar. Malabarista, ao que dizem, tem origem na palavra malabar. A costa de malabar situa-se no Sudoeste do subcontinente indiano. Foi onde Vasco da Gama aportou. Mas que diabo de relação haverá entre uma zona costeira da Ásia e as habilidades encantadoras hoje exibidas como arte circense? Consta que os Portugueses terão ficado espantados com a destreza destes indianos para levantar objectos e mantê-los desafiando as leis da gravidade. Consta. À falta de melhor, fiquemo-nos por aqui. 

Uma coisa é certa: em Portugal abundam malabaristas. Múltiplos acontecimentos recentes nos fazem lembrar estas admiráveis cenas circenses. Assim: o país arde. Há trágicas e intoleráveis perdas de vidas, de bens, de tudo. A seca ameaça transformar o sul de Portugal num Sahara a haver. Há mesmo quem já o vaticine. Pois no meio de tudo isto, o Senhor Primeiro Ministro vem dizer-nos que é tempo de prevenir as cheias de inverno. Este Senhor é exímio em manobras de diversão. É a sua jogada política mais comum. Há longos anos. E o país assiste quedo e mudo. Os bombeiros já não podem tecer comentários sobre os fogos que combatem, E aceitam. Mas o país continua a arder. Temos comentários, análises e previsões de altas patentes da protecção civil verdadeiramente enternecedores: pela competência, pelos dotes e eficácia comunicacionais, pela oportunidade, pelo saber. Enfim, por tudo. Como é sabido, a maioria destes responsáveis tem longuíssima experiência. Terão sido nomeados em Maio, ao que se diz. Mas enfim. O país continua a arder. Este rectângulo representa mais de 2/3 da área ardida, durante o verão, em toda a Europa. E houve vagas de calor por todo o lado. Em Espanha, França, Itália Grécia, etc. Tudo neste Governo é saber e competência. Reformou a floresta como ninguém o fez ou poderia fazê-lo há sete séculos. Por isso D. Dinis, deu uma volta de espanto no túmulo. Espanto e admiração. Por não entender, como nós não entendemos, porque é que a legislação existente não foi aplicada se ela era suficiente para ordenar devidamente a "fileira florestal".  Não há nada melhor do que uma  nova lei para aliviar consciências. Se for um conjunto de Leis, tanto melhor!
Somos a terra da impunidade. O primeiro ministro não responde. Faz perguntas. Foi Pedrógão, Tancos, Góis, Vila de Rei, tantos, tantos que é cansativo mencionar. O último acontecimento trágico nacional foi a queda da árvore no Funchal que causou 13 mortos, mas que não é de ninguém. Mais um inquérito seguramente. Com tantos inquéritos, não admira que o desemprego diminua. E como os inquéritos em Portugal são eternos, há boas perspectivas para integração dos chamados precários.
E calo-me: por cansaço e à espera de que alguém me chame xenófobo, senão racista, por ter aportado à costa  indiana  de malabar.

domingo, 9 de julho de 2017

Larachas

A sociedade portuguesa vive momentos difíceis de qualificar. Um poder político incompetente e totalmente irresponsável ocupado por detentores directos ou indirectos de cartões partidários e que é incapaz de compreender as mais elementares noções de Pátria, Nação, Comunidade ou sequer a comezinha noção de Bem Comum. A ignorância exalada diariamente é ampliada magistralmente por uma comunicação social estúpida e sistematicamente à procura de furos com  ridículos factos e comentários que martirizam até à náusea. Aqui, talvez por simpatia com os poderes de cujos restos se alimenta, perderam-se as noções de jornalismo e de interesse público. O voyerismo primário é deprimente. Ninguém é capaz de assumir responsabilidades, mas abundam os argumentos mais irracionais para justificar o injustificável,  e sempre com uma falta de pudor que arrepia. Houve um assalto ao paiol de Tancos? - Há coisas mais graves-  diz o Ministro. - Não há dinheiro para reparar a vedação ou a videovigilância, dizem os militares. Tudo isto é tão mau, tão imbecil e tão descarado que não merece sequer a mais pequena resposta. Mas é sintomática num país com 238 generais, ao que consta. Menos ou mais, a situação é seguramente pior do a que existe na maioria dos países do terceiro mundo. E nenhuma semelhança tem, obviamente, com os países ditos desenvolvidos. Num incêndio que deflagrou num Sábado muito quente e onde, de forma nunca vista em todo o mundo morreram 64 pessoas, a  culpa e explicação patética encontrada poucas horas após o início é do downburst, ou "forte corrente de ar descendente associada a trovões". Toda a gente se pronuncia sobre tudo vorazmente, na esperança de, com ou sem gramática, vociferar uma bagatela diferente, ainda que mais patética do que todas as outras. E as televisões dão cobertura a isto despoletando  um enjoo e um cansaço que desmotivam.  Há quem chame retórica  aos verbosos argumentos non sense desta rapaziada que tomou de assalto o palco do poder. Mas não. A retórica tem regras e até já foi uma disciplina das humanidades. Ora, a rapaziada não sabe o que isso é. Chora e ri, aparece e desaparece, abraça e escarneia a seu bel-prazer porque interiorizou a incapacidade nossa de reagir ou de censurar. Ocupem o palco rapazes. Ocupem o palco enquanto é tempo. Enquanto o país não submerge inteiramente no mar de despudor e de mediocridade que vos alimenta. Tudo isto é tão pobre que nem de retórica podemos falar. Por isso lhe chamo larachas. Aos rapazes e aos "argumentos". Enfim. Larachas.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Que Nhaga!

Tenho uma neta, com dois anos e meio, que faz "feitícios": quando destapa os pequenos objectos que guarda com o guardanapo, o lenço ou simples folha de papel. diz uau e solta uma gargalhada genuína e cristalina a que ninguém pode ficar indiferente. Também utiliza nesta fantástica tarefa, um lápis ou qualquer objecto que se assemelhe a uma varinha mágica. É um encanto. Um hino à alegria e à felicidade.
Ocorreram-me estes "feitícios" de ternura por oposição e flagrante contraste com a notícia hoje divulgada sobre contratos patéticos e inacreditáveis entre dirigentes do Benfica e um tal feiticeiro guineense de seu nome Armando Nhaga. Coloco sempre algumas reservas neste tipo de leituras. Mas alguma coisa deverá ter acontecido. Também não creio que absurdos tão negros como este tenham nascido do nada. Bom, os dinheiros eventualmente pagos ao Senhor Nhaga pelo Benfica será dos accionistas da SAD, entre os quais estará o Clube - ao que julgo- e indirectamente todos os sócios. Socialmente é grave. Não o dinheiro eventualmente pago ao Nhaga. Mas a crendice nos feitiços que variavam de jogo para jogo - ( não há dois casos iguais )- mas envolviam sempre bagaço, sacríficios de animais, como galinhas, porcos, entre outros. Alguém conseguirá acreditar nisto em 2017?
 Mais um pequeno empurrão. Entre os dirigentes do Benfica e da sua SAD estão, naturalmente o presidente Luís Filipe Vieira e o Senhor Dr. Rui Gomes da Silva. Este parece ter-se correspondido e "regateado" os serviços do Nhaga. Além de advogado, o Dr. Gomes da Silva tem um vasto e riquíssimo  currículum político. Deputado, chefe de gabinete do Secretário de Estado Santana Lopes, Ministro dos Assuntos Parlamentares do XVI Governo Constitucional e, pouco depois, - imaginem - Ministro adjunto do Primeiro Ministro Santana Lopes, (pois claro) , quando foi preciso substituir Henrique Chaves.
 Foi vice-presidente da Direcção do Sport Lisboa e Benfica e administrador da respectiva SAD  até 2016, aquando da última eleição de Luís Filipe Vieira. Agora é um estimado e douto comentador televisivo. 
É arrepiante. Este Senhor, que já ocupou cargos de indiscutível responsabilidade e de muito poder na estrutura da Estado Português, conseguirá alimentar crendices com o objectivo de beneficiar o seu clube ou prejudicar adversários ( o que vai dar no mesmo) através de feitiçarias que envolvem bagaços, sacrifícios de animais e sabe-se lá que mais?
A que nível descemos como sociedade e como povo? Que Nhagas nos irão acontecer ainda? Sem mais comentários. Tudo isto é muito tenebroso, patético e miserável para ser verdade. Não acredito. Não acreditem, por favor, pela sanidade mental de todos nós.
Ah! Esqueci-me de referir. O Senhor Dr. Rui Gomes da Silva é membro dessa agremiação chamada Maçonaria, cujos membros tantos serviços têm prestado à florescente sociedade portuguesa. Alguém se espantará? Se pudesse, fazia um "feitício".

quarta-feira, 21 de junho de 2017

" No bom caminho?"

A trágica "época dos fogos" que anualmente fustiga este país triste, antecipou-se este ano aos prazos determinados pelos insubstituíveis técnicos e peritos. Antecipou-se, trazendo uma catástrofe de dimensões que ultrapassam tudo o que poderia imaginar-se. As dezenas de vítimas de Pedrógão Grande e de Góis, como todas as vítimas, merecem silêncio, contenção da raiva inevitável, solidariedade e tudo o que de bom a alma humana ainda pode dar ao próximo com empatia e sofrimento. Os meios de comunicação 
- os mesmos que nos enojam com exageros determinados por medíocres e insensíveis - dizem-nos também que esta catástrofe tem sido acompanhada um pouco pelo mundo fora. Perante a dimensão inacreditável da tragédia e as opiniões mais diversas, surgem sempre alguns cucos que entendem que só o pranto e o silêncio acompanhado dos habituais reconhecimentos ao esforço de todos os responsáveis pode respeitar as vítimas. É inacreditável. Há décadas que os fogos vão devorando o território e a sociedade portugueses. Há décadas que os cucos prometem medidas de prevenção, reordenamento da floresta, meios de combate eficazes, apoios de todos os tipos e feitios, enfim, a panóplia conhecida de quem, verdadeiramente utiliza com um oportunismo asqueroso, nos incêndios como em tudo o mais, a simplicidade e a "mansidão" de um povo que foi abocanhado por vampiros e incompetentes a quem nem podemos criticar nestes momentos de infelicidade natural. Como noutros tempos, é a infelicidade que fatalmente nos bate à porta todos os anos.  E é verdade. A fatalidade. A fatalidade. Trovoadas secas na Beira, buracos que devoram carros nas principais avenidas da capital. Fatalidades. Fatalidades. Cada vez serão mais frequentes. Cada vez serão de maior dimensão. A GNR não sabia nem poderia adivinhar o perigo quando indicou ou permitiu o trânsito naquela que é hoje a estrada da morte. Mas não haverá país do mundo onde a fiscalização dos condutores seja mais frequente.Passeiam-se por todo o lado, mas sempre sem meios humanos nem materiais. O vento e o calor nunca vistos eram totalmente imprevisíveis, pois claro. Imprevisíveis eram - são sempre- as falhas das comunicações. Falhas que causaram a morte, a devastação, o medo e a tristeza. Como li num texto extraordinário de Maria João Marques, parece que o único culpado de tudo isto é o infeliz que há anos terá plantado a árvore que aparou o raio. Mas, afinal parece que o Presidente da Liga dos Bombeiros, Mata Soares de seu nome, já sabe que o incêndio ocorrera e tinha proporções muito grandes quando se verificou a trovoada seca. Mas é extraordinário.. No mínimo é extraordinário. No 2º dia do incêndio que a esta hora ainda não pode dar-se por extinto, já a PJ sabia que fora causado por causas naturais. Extraordinário. Que competência! Que rapidez! Que precisão. O País está corporativizado. Vejam bem. Agora, as corporações mais ilegítimas pavoneiam-se garbosamente pelos recônditos labirintos legiferantes e administrativos. Nenhum incêndio, nenhuma tragédia pôde evitar a greve dos professores. E nenhuma tragédia evitará esse verdadeiro absurdo que é a greve dos Juízes. Poderíamos continuar indefinidamente. O País foi abocanhado. E os cucos tudo fazem e utilizam toda a retórica para que os operários a quem devem o ninho esqueçam a irresponsabilidade, a negligência, a incompetência, a pulhice. Pobre País. Pobre povo. Como são largas as costas desta pseudo-democracia.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

O "foco" é tudo.

 Vi ontem uma pequena parte do vídeo da conferência de imprensa convocada pelo Senhor Engº Mexia na sequência da sua constituição de arguido num processo. A outras pessoas, ligadas hoje ou anteriormente à EDP e à REN foi dado idêntico estatuto. Também li alguns resumos da mesma conferência. Ao que parece a EDP não teve nenhum benefício resultante da assinatura dos contratos para estabelecer os chamados CMEC ( Custos para a manutenção do equilíbrio contratual). Só o nome é uma aberração jurídica. Mas o evento ou sucessão de eventos que me leva a retomar este blog há vários meses inactivo, é uma forma de esbracejar num país anedótico cuja democracia foi transformada numa farsa. Por estes e outros indivíduos com privilégios intoleráveis e rendimentos principescos e que, apesar disso, são mediocridades rapaces e patéticas. Quando oiço coisas como aquelas que disse o Senhor Mexia, apetece-me ser jornalista. Quando o Senhor afirmou 
que a EDP não teve qualquer benefício com a assinatura desses "contratos" apetece-me pedir-lhe que se demita, porque nesse caso ele é um péssimo gestor. Um contrato é assinado quando traz benefícios para ambas as partes, visto que pressupõe o princípio da liberdade contratual. Então o Senhor Mexia & Cª foi obrigado a assinar contratos que não trouxeram benefícios à empresa que representa? Que se queixe por coacção! Claro que é mais verosímil considerar que, com estas declarações, o Senhor Mexia & Cª está a chamar imbecis publicamente a todos os Portugueses. Ou seja, está a insultar-nos publicamente depois de passar anos a espoliar-nos sem o menor rebate de consciência.
O assunto é grave. Tão grave que não nos apetece comentá-lo mais demoradamente. Por pudor. No que a corrupção diz respeito, apetece dizer que, em Portugal, cada sachada sua minhoca.
Por isso, terminaremos com pequenas considerações formais, mas que julgamos particularmente pertinentes: a) porque terá estado parado durante anos este processo? Entendo, pelo que li, que só agora a PJ terá sido chamada a auxiliar a investigação. Há anos que defendo que a investigação deve ser das polícias, a acusação do MP e o Julgamento do Juíz. Porque persistirá esta "entorse" ou fricção entre MP e PJ?
b) Porque não pediu o MP o segredo de Justiça neste caso que diz ser complexo e cujo objecto é igual a tantos outros onde até houve e há prisões preventivas? Não gosto do segredo de Justiça. Mas já alguém se interrogou sobre o que aconteceria se todos os arguidos decidissem convocar conferências de imprensa para refutar pocessos penais?
Agora é mesmo para terminar: o Senhor Mexia repetiu de forma patética e pouco convincente ( para qualquer jurista com alguma experiência) uns tantos "ditirambos" non sense para justificar coisa nenhuma. O seu gesto, a sua ênfase e o seu mal disfarçado embaraço foram confrangedores. E aquela de que não perderão (eles) o foco nos objectivos da sua gestão é de gargalhada.  O foco é impertinente. Por isso é de gargalhada. Impertinente também. Ou talvez de corninhos de verde pinho. Pertinentes.
Vá-se lá saber!!!! 

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

As condições da Liberdade

Mário Soares morreu no passado dia 7 de Janeiro de 2017 com 92 anos. O enterro foi terça-feira, dia 10, tendo o corpo ficado no mausoléu familiar no Cemitério dos Prazeres. A morte de Soares surpreendeu o 1º Ministro em viagem oficial à Índia. Viagem que não interrompeu porque o dever está acima de tudo. É bonito ouvir coisas destas. O Governo decidiu que Soares teria um funeral de Estado e decretou 3 dias de luto. O que parece correcto. O cortejo para os Jerónimos e daqui para o cemitério com as devidas "pausas" foi divulgado ad nauseam. As várias cerimónias foram impecavelmente organizadas e calendarizadas. A fotografia do ex-presidente da República foi divulgada por Lisboa inteira. As que vi tinham o símbolo ( assinatura?) da Câmara Municipal de Lisboa. Durante os quatro dias, de pouco mais se falou para além da vida e da morte de Mário Soares. Houve pessoas, como sempre sucede, que aproveitaram para destilar ódio e despeito. Foram tratadas, até literalmente por energúmenos. Partilho o aforismo latino: de mortuis nihil nisi bonum. Por isso, também me parece mau gosto tecer comentários despropositados sobre alguém aquando da sua morte. A História não tem pressa. Mas a maioria dos inumeráveis comentários, artigos, reportagens opiniões, pequenas histórias, testemunhos, depoimentos,etc. foram encómios, panegíricos, louvores sem fim ao pai da liberdade. Reconheço que no meio do turbilhão, algumas opiniões foram escritas em português razoável. Mas outras, nem a gramática nem a semântica lhes valiam. Eram mediocridades salpicadas de notório oportunismo. Mas da maioria esmagadora, ressaltava, de facto, a intolerância sob a capa desta verdade mistificadora: se não fosse Soares não poderíamos celebrar a liberdade e escrever encómios, porque o ambiente de censura para com suspeitos  de tecer alguma crítica estava presente e era pesado como chumbo. Por isso destaco aqui dois artigos: um do muito censurado Henrique Raposo, no Expresso, de que julgo ser suficiente recordar apenas isto: o título: Nem Hagiografia nem Travessura. E mais esta verdade incontestável.  As ditaduras têm um pai. Os regimes livres têm muitos pais. O outro artigo que quero destacar é de Alberto Gonçalves na Revista Sábado. Apesar de toda a revista ser uma edição especial dedicada a Soares ( com muitas páginas de interesse duvidoso), no seu Juízo Final, Alberto Gonçalves com o respeito apropriado referiu-se aos inumeráveis escritos e oportunismos assim ( cito de memória): Pelos vistos, uma considerável percentagem dos meus compatriotas apenas respira, pensa, corre, dança e repete banalidades em público graças ao Dr. Soares. Curiosamente muitos dos que agradecem a liberdade, apreciam hoje a influência que notórios inimigos da liberdade exercem sobre o País.
Não seria nisto que Alberto Gonçalves pensava. Mas ocorre-me o episódio, os múltiplos episódios do chamado ex-secretariado do PS quando forçaram Soares a suspender as funções de Secretário Geral. O objectivo era esfrangalhar o PS apoiando a candidatura de Ramalho Eanes. E haverá quem não esqueça que o General quando impulsionou da Presidência a constituição do PRD queria indiscutivelmente despedaçar o PS e talvez em menor escala, o PSD. Estou à vontade neste campo. Foi a única ocasião em que apoiei  publicamente a posição de Soares. Com um artigo no semanário O Jornal. Pontificavam então no Secretariado do PS figuras como o hoje Secretário Geral da ONU, António Guterres, o ex-Presidente da República  Jorge Sampaio, Vitor Constâncio e tantos, tantos outros. Estagiário que foi do escritório de Sampaio, António Costa estaria então com os nomes sonantes de que nomeei apenas três. Seguramente. Mas enfim. Como disse anteriormente, a História dirá o que ainda não foi dito e, particularmente, desdirá o muito que foi dito sem critério e sem justificação séria.
Para já fiquemo-nos por isto. Mário Soares terá um lugar central na História de Portugal da segunda metade do Sec.XX ( afasto os 16 anos deste século, porque lhe são grandemente desfavoráveis), para o bem e para o mal. Assumiu atitudes importantes para a vida de todos nós, mas também teve atitudes desastrosas. Direi a terminar que a liberdade não é um conceito abstracto que se transporte como um facho olímpico. A liberdade está condicionada e é determinada pelas condições da liberdade. Condições políticas mas também económicas e sociais. Se é indiscutível que a liberdade política não tem paralelo com aquela que existia no final do Estado Novo, tenho muitas dúvidas que o peso da organização, maxime a do Estado, facultem ao indivíduo uma liberdade sócio-económica aceitável, mesmo comparando com os últimos anos do Estado Novo. É também verdade que o bem estar económico-social foi democratizado, abrange hoje um maior número de cidadãos. Mas tendemos sempre a esquecer que se passaram 42 anos sobre o golpe de Estado de que viria a sair um arremedo de revolução. Qualquer regime teria evoluído e...naturalmente para a democracia. A liberdade política chegaria com Mário Soares ou sem Mário Soares. O que não retira importância à luta pela liberdade que este travou nos momentos certos.  A tirania fiscal que hoje vivemos não encontra paralelo em qualquer outro momento da nossa história.Não me lembro, pelo menos. As grandes organizações espremem os direitos individuais até ao tutano, sendo verdade que os responsáveis, ou melhor aqueles a quem foram cometidas responsabilidades para evitar estes atropelo, limitam-se a assobiar para o lado, quando não estão "comprometidos" ou corrompidos pelas organizações que era suposto regularem.
Hoje, em Portugal, são frágeis muito frágeis as condições da Liberdade.

nota: reproduz-se um quadro de Vieira da Silva intitulado, ao que penso, o prisioneiro na árvore. 

sábado, 24 de dezembro de 2016

Círculos Discêntricos

É véspera de Natal. O mundo cristão rejubila esta noite com a comemoração do nascimento do menino-Deus. Ocorre-me o extracto de um poema de Natal de Miguel Torga ( cito de memória):  Leio o teu nome nas páginas da noite, menino Deus, e fico a meditar no milagre  dobrado de seres Deus e menino. Em Deus não acredito. Mas de ti, como posso duvidar? Todos os dias nascem meninos pobres em currais de gado; humanas alvoradas; a divindade é o menos. A luz de esperança que o nascimento de cada criança traz ao mundo deveria fazer-nos esquecer tudo o que mau vai acontecendo nesse mesmo mundo. A um ritmo que abala a mais forte esperança. Retido em casa por uma gripe agreste, tenho lido muitos jornais esta semana. Também por isso é inevitável cotejar o júbilo e o chamamento do amor desta quadra, com o ódio de tantos acontecimentos recentes. Fiquemo-nos pela Europa: mais um atentado utilizando um camião num mercado de Berlim, com mais de uma dezena de mortos e várias dezenas de feridos. Quase em simultâneo, um polícia ou ex-polícia baleou o embaixador russo em Ancara, Na complexa questão dos refugiados, a Turquia é, como se sabe, uma das principais portas de entrada na Europa. Que deixou de ter estadistas. O problema dos refugiados e outros, muitos outros com que se depara, resultam da cegueira medíocre de quem a governa. É hoje claro para toda a gente informada que a questão dos refugiados deveria ter sido encarada e resolvida na origem. Prevendo a castástrofe social da reconhecida incapacidade de acolhimento de todos aqueles que, por legítimo anseio, a procuram como refúgio ou recomeço de vida. Como não foi prevenida, é louvável que se tenha tentado mitigar o sismo social daí resultante com medidas humanamente imprecindíveis. Destaco eu e quase todos - hoje - a atitude de Angela Merkel neste caso. -( Alguns esquerdistas personificaram na Chanceler o diabo das austeridades troikianas; calados que nem ratos com a generosidade das suas propostas para os refugiados, claro está.)- Por isso, mais ignóbil ainda é - se este "mais" fosse possível - o atentado de Berlim. Como ignóbil é todo o acto de terror. A Europa e o mundo estão numa encruzilhada das mais difíceis dos últimos séculos. A Europa (UE) gizada por um punhado de estadistas de grande nível logo a seguir à II Grande Guerra, não conseguiu evoluir harmoniosamente. Escusamos de esconder a cabeça debaixo da areia. A burocracia insaciável devorou-lhe os ideais. Tem de ser repensada. Reconstruída com fundamentos que incorporem as novas realidades. Haverá gente capaz de "sonhar" uma nova União Europeia? Tenho para mim que a indecisão dificulta e estreita as opções. Há uns dois anos entendia que poderia haver duas soluções: (i) mais integração; (ii) pausa, provável recuo e criatividade para recomeçar. Os últimos acontecimentos, designadamente o chamado Brexit tornou muito improvável caminhar agora e sem mais para uma maior  integração. Por outro lado, tenhamos consciência: para o bem ou para o mal, a UE jamais será a mesma sem o Reino Unido.
Este informal e superficial "rebusco de imprensa"  tem de fazer uma alusão, por pequena que seja, aos escândalos internos. O último é o caso dos negócios do plasma. Já haviam sido ventilados. Agora, as novas "aproximações" resultam de uma investigação oficial. O ex-presidente do INEM e da Região de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo ( Ribeiro e Cunha) terá facultado à Octafarma de Lalanda e Castro negócios chorudos com o plasma importando, enquanto o sangue de milhares ou centenas de milhares de dadores nacionais era desperdiçado. Enfim, deixemos que a investigação prossiga para que não vá a lado algum,  com alguma probabilidade. Em termos de corrupção, cada sachada é sua minhoca. Impressiona. Impressiona ainda mais pelo facto de ser sempre um punhado de nomes que vem á tona. Lalanda foi o patrão do Sócrates. Verdadeiro? Quem acredita? O Sócrates vendia casas, suas e da mãe, ao amigo Santos Silva. Agora sabemos que a Octafarma fez o mesmo ao Senhor Luís Ribeiro e Cunha. No Porto, no Algarve, em Lisboa (?). Afinal, Ribeiro e Cunha era vizinho de Sócrates no Heron Castilho. Tudo isto desafia os mais crédulos. Lalanda e Castro também estará nos vistos gold e em alguns outros processos na companhia do Senhor Bataglia e de vários outros altos responsáveis angolanos. Mesmo para quem desconhece os processos, mas está minimamente atento ao que o rodeia, parece que há alguns grupos ligados ao poder que se "entreteve" durante anos e anos a construir caleiras sumidouras para os dinheiros públicos. Nenhum País pode resistir a tanto. E as corporações são mais e mais acintosas na defesa de privilégios apesar do miserável empobrecimento gradual do País produtivo.
Enfim, a esperança que envolve a época natalícia, tem de suplantar a miséria moral que vai corrompendo as sociedades. Os sistemas de conformação social perderam toda a sua eficácia secular. A própria lei é tomada muitas vezes como um mero faz de conta. Porque o Legislador também perdeu a tramontana. Deixou de nortear-se pelo bem comum. Tantas vezes inúteis ou escusadas, há leis motivadas apenas por objectivos suspeitos: beneficiar apaniguados. Que justificação poderá haver para isentar os Partidos Políticos do IMI, quando se legisla criando uma sobretaxa para prédios com valores acima de €600.000,00 ? O despudor é muito grande. Por muito pesadas que consigam ser, as palavras já não são suficientes para demover esta traça maldita que nos vai corroendo a esperança.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Não há pachorra!


Haja Deus! Como é possível esta novela mexicana de má qualidade? Quem se julga o Senhor Domingues para recusar cumprir a Lei?
Este Senhor e a sua equipa - como ouvimos - jamais poderão gerir o banco público com competência e idoneidade. Apesar da necessidade premente em tomar decisões importantes, designadamente ao nível da capitalização - como dizem, cheirando-me a esturro - este Senhor nada mais fez até agora do que pensar no seu umbigo e nos seus interesses. A instituição CGD é um pormenor insignificante. Perante esta atitude, repito: estes senhores não têm a idoneidade necessária para gerir uma empresa de tal forma importante como é o único e mais importante banco do sistema, e que, por sinal, se move com dinheiros exclusivamente públicos. Porque será que esta geringonça mal parida que nos governa não é capaz de assumir esta realidade tão simples e tão elementar? A CGD foi, nos últimos anos, o instrumento privilegiado do nepotismo e da corrupção. As notícias têm demonstrado isto à saciedade. A que propósito a Comporta da dinastia Espírito Santo foi " construída" com dinheiro da CGD? A que propósito se empresta dinheiro a Berardos & Cª para comprar acções de bancos concorrentes, servindo o produto das compras como garantia? como é possível conceber um negócio como o Vale do Lobo, onde a CGD entra para sócia dos compadres a quem emprestou dinheiro para adquirirem as quotas maioritárias? Andará tudo louco? Não. Infelizmente não. O que andam é a gozar despudoradamente com o Zé povinho. que tudo atura e tudo aguenta, Aguenta aguenta, como afirmou o ex-patrão do Senhor Domingues num passado recente.
Aguentarei, se não tiver outro remédio. Mas que fique claro. Nada sei sobre a capacidade ou o mérito do Senhor Domingues & Cª. Nunca deles ouvira falar até recentemente. Mas sei que a uns tantos o BCE mandou fazer um curso no estrangeiro porque lhes não lhes reconheceu capacidade para gerirem um banco. Sei ainda que os Senhores que são capazes de colocar uma instituição que se propõem gerir em risco porque privilegiam os seus próprios interesses ( e de que tamanho !), não têm idoneidade para gerir esse mesmo banco. Nunca a terão. Logo, citando: desamparem a loja e vão pregar para outra freguesia. Se os responsáveis pela sua nomeação não conseguem ver isto, então das duas uma, ou melhor das três, talvez duas: ou são pusilânimes, ou são ignorantes, ou têm interesses que também não revelam. E assim se traça o futuro do banco público! Que não perdoa uma penhora por meia dúzia de tostões a qualquer cidadão comum! Tudo isto é intolerável. 

sábado, 12 de novembro de 2016

Cegadas

Já está. Os EUA elegeram Mr. Trump para 45º Presidente. O mundo em choque interroga-se: e agora? também eu aguardo pela resposta. todos aguardamos para ver. Para já e no momento em que escrevinho estas notas, já Mr. Trump se encontrou com Obama e parece que tudo correu muito bem. Tenho para mim que, apesar do mito divulgado por filmes e pela comunicação social,  o presidente tem menos poder do que pensamos. Melhor: é mais condicionado ou mesmo formatado pelo complexo militar-e não só-  do que pensamos. Por outro lado, o próprio cargo se encarregará de moderar o urso.  Enfim. Trump, como muitos outros que chegam à política ou a usam para os seus propósitos são a demonstração do  esgotamento da chamada democracia representativa. Provavelmente de democracia tem pouco. E os eleitos, uma vez no poder, representam-se e aos seus interesses, mas não quem os elegeu. O sistema tem sede ser profundamente alterado. Desde logo com muita mais transparência. Isto é: os cargos públicos, todos os cargos públicos têm de de ser controlados com muita maior eficácia e a correspondente destituição deve poder acontecer mais facilmente. 
Os Chantagistas obscuros
Exactamente o inverso da cegada que acontece na CGD.  Uma meia dúzia de personalidades julgam-se acima da lei. A maior parte veio do BPI, um banco privado que, como outros, teve de se socorrer de dinheiros públicos há pouco tempo para sobreviver. Ao que parece, a recusa de declarar o património só pode ter como causa o desfasamento desse património do motivo pelo qual o banco recorreu ao dinheiro dos contribuintes. Mas toda a gente atenta sabe perfeitamente que os bancos foram falidos por incompetentes e gananciosos. Por acção das duas características, em regra. Só o triste do Ministro das Finanças, do primeiro ministro e tanti quanti desta geringonça  é que puderam convencer os Senhores da sua superioridade e da desnecessidade de cumprirem a lei. De resto, e como é sabido, até um diploma fizeram aprovar no Parlamento à medida de tal propósito. Uma cegada triste, em suma. Agora, de mal a pior: entregam, mas se a declaração ficar sigilosa. Tanta mediocridade, tanta falta de noção das regras mais elementares do convívio democrático, levam-nos a interrogar: que merda é esta? a que propósito se vai entregar o banco público a gente com esta mentalidade de merda?
Cá vamos... com tudo isto. Cá vamos, cantando e rindo.

domingo, 9 de outubro de 2016

Desgarradas

1. Guterres
Comecemos pelas boas novas, porque de más está o "inferno cheio" e o papo do cidadão português há muito envinagrado e justificadamente azedo. Está assegurada a eleição de Guterres para Secretário Geral das Nações Unidas, considerando que o Conselho de Segurança (quem manda naquelas estrangeirinhas - o quinteto permanente, entenda-se -) já o propôs à assembleia geral com votos e aplausos. Imagine-se. A verdade é que o ex- primeiro ministro português e ex-comissário para os refugiados havia passado nas "provas de aptidão" com grande brilho. O processo, mais democrático e mais meritório do que as anteriores nomeações, só se iniciou este ano. Assim, a ONU sai prestigiada duplamente. Porque venceu quem apresentou a sua candidatura e a defendeu em provas públicas com denodado mérito, sendo que a ONU soube escolher apesar das múltiplas pressões a favor de outros candidatos, a última das quais, patética quanto baste, foi a Kristalina comissária da UE e vice-presidente da Comissão saída da cartola da Senhora Merkel e querendo afastar a sua compatriota Bokova. Em rigor, quereria "afastar todos os outros". Não alinhando na hipocrisia nacional, costumeira e bacoca de apregoar já que Guterres será o melhor secretário geral das últimas décadas", é evidente a razão para um justificado orgulho. Por mim, desejo que desempenhe um papel excelente, isto é, bem melhor do que aquele que personificou, enquanto primeiro ministro português. Parabéns a António Guterres, à ONU -que raras vezes os tem merecido - e à diplomacia portuguesa. Acredito que algo de relevante tenha feito. Mas era bem dispensável a atitude imbecil do senhor PM Costa, o qual, mal chegou à China, teve necessidade de agradecer a posição deste membro permanente do Conselho de Segurança na eleição de Guterres. Se apoiou a candidatura, fê-lo seguramente porque considerou que era a melhor; e se foi assim, como queremos acreditar, então a China só pode estar satisfeita e não precisa nem deverá querer agradecimentos de ninguém. Não será verdade senhor Costa? Também vai agradecer aos outros quatro permanentes e aos restantes dez temporários?

2 - O Juiz
Sem querer beliscar a presunção de inocência, o caso calou fundo em quem anda nestas lides judiciárias. Quero eu pensar. Noticiam os jornais que o Juiz Rangel ( desembargador) estará envolvido na rota do Atlântico, na qual são pioneiros os senhores Veiga dos futebóis havidos e o Paulo Santana Lopes, irmão do político também havido, provedor da SCML e talvez candidado a haver na eleição para presidente da Câmara Municipal de Lisboa. O PSD deve andar com os olhos vendados, ao contrário do Juiz. Este Lopes nunca mais ganhará coisa nenhuma. Este lugar de provedor da Santa Casa é excelente, foi nomeado por antigos préstimos políticos e o que ele tem a fazer de mais sensato é manter  o tacho o tempo que puder. Claro que o passado dar-lhe-á sempre um lugar de relevo no habitual tráfico de influências. O futuro do Lopes está assegurado. Como advogado, ninguém lhe conheceu coisa de mérito. Afinal, o que vale o mérito nesta reconhecida choldra? O cartanito partidário é tudo quanto basta. Regressando à personalidade em título: diz-se que dos muitos milhões manipulados pelo senhor dos futebóis havidos, de seu nome Veiga, por incumbência dos sobas congoleses, o senhor Juiz recebeu bastante em circuito - talvez agora curto - por contas do filho do advogado Martins e do próprio causídico. Especulem ou não, parece que até papelinho há a confirmar tal facto astucioso, mas não muito. Coisas do ofício. Os servidores da Justiça - é deles que falamos, não é? - sempre foram dados a formalidades. Era o que faltava! Non creo em brujas pero que las hay las hay, diz o povo castelhano. Neste lodaçal, estava mesmo a faltar mais um escândalo de grande corrupção na Justiça, pois claro. Como nesta pequena área se verifica um compulsivo grande impulso para encobrir os irmãos funcionais veremos a rota dos acontecimentos. Lembramos apenas que o senhor Juiz foi o único (até agora) que descascou no seu colega Carlos Alexandre a propósito do segredo ( dito interno) do processo Sócrates, também dito Marquês. E que pôs a nú o mal fadado processo. Levianamente, muito levianamente afirmamos o que se segue: discordando das razões do acórdão, apoiamos o resultado. A historieta mal contada do segredo de Justiça é uma balela com a qual alguém deveria terminar. Alguém...o alguém que nunca há...canção girassa. Dá mais trabalho e mais complicações o dito segredo do que os crimes reais que diz querer segredar.  Enfim, aguardemos para ver se esta rota terá um destino ou se o sextante se perderá numa deriva singular.

3 - O Rocha, outra vez o Rocha
Era suposto tratar dos assuntos fiscais. Decidiu ir à bola às custas da GALP, que mantém ( ou mantinha) um litígio quiçá avultado com o fisco, sem ver nisso qualquer conflito ético. Não foi o único. Agora e ao que dizem as más línguas sucedeu algo semelhante com a EDP. Não que o tenha levado à bola. Mas afinal o Rocha Andrade seria um pequeno accionista da EDP. Como esta empresa também litiga com o Estado para não pagar um montante considerável de impostos que este quer cobrar, O Rocha Andrade não poderá legalmente decidir nada a este respeito ou em qualquer assunto que implique a EDP. Coitado. Mais uma vez descuidado. Impolutamente descuidado. Mas eis o mais interessante: o governo, na ânsia de angariar dinheiro nestes últimos meses do ano, planeou e concretizou um perdão fiscal. O qual -diz o governo - não é afinal um perdão fiscal. Só diz respeito aos juros. E estes perdoam-se ou cobram-se? Perdão ou castigo, o Rocha afirmou que a GALP, como qualquer outro contribuinte, nas circunstâncias previstas, seria abrangida pelo perdão fiscal. Mas não, diz essa entidade mascarada chamada governo. A GALP não é abrangida pelo perdão. O imposto de que é devedor é um imposto extraordinário. O perdão é para impostos ordinários!!! ( daqueles que dizem palavrões que fazem corar as beatas). Então e os juros? Ah! perdão. Afinal a GALP sempre poderá ser abrangido numa parte do que contesta.
Quem entende esta matulagem? Quem estará disposto a aturar este permanente atoleiro de palavras e actos que corroem a nossa dignidade?

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

GALPistas

Já o dissemos.A teta pública alimenta, em Portugal, todos os cinismos e todas as mediocridades com "matrícula" partidariamente relevante. Á esquerda e à direita. A este nível nem sei o que isso seja. Nem eles. Mais: como se a teta não chegasse, o nepotismo e a corrupção alastraram de modo tão despudorado que é fastidioso enumerar os casos que diariamente nos chegam pela comunicação social. A corrupção e o nepotismo são intoleráveis e fazem de Portugal um País miserável. Moralmente miserável, indiferente ao mérito. A Galp convidou uns tantos ( dos políticos nos ocupamos e só dessa estirpe) para viajarem para França em jacto privado. Pois bem. Assim foi. O secretário de Estado dos assuntos fiscais terá ido duas vezes. Sem consciência da ilicitude. Ainda hoje não vê o conflito ético! Tem toda a razão. Este Senhor é inimputável. Afirmamo-lo porque queremos manter intacta a sua consciência. Pouco importam os conflitos entre a AT e a Galp. Não há qualquer conflito ético na aceitação dos favores da Galp. Em bom rigor, estava o Rocha Andrade posto em sossego, à boleia na rotunda do relógio, quando alguém - muito bem intencionado - decidiu dar-lhe boleia aérea para França. Patrocinando a petrolífera a selecção de futebol, este governante maravilha ( como outros, remate-se) até mostraram patriotismo e espírito de sacrifício. Mas estão Vocências tão incomodados? Então devolvo os dois mil e tal euros. Certo? Quem avaliou as viagens e o resto? E quem controla a devolução? Espantoso! Faz-se um Código de conduta rapidinho para situações futuras, pouco importando a lei existente quer administrativa quer penal. Os códigos de conduta anulam toda e qualquer disposição legal. Ora essa. Toda a gente sabe isso, seus ignorantes. Estamos na parte verdadeiramente relevante porque corruptos há-os aos pontapés, apesar da sua imunidade aos incêndios que consomem Portugal. São tantos os casos que se tornou já cansativo falar do assunto. Não há pachorra. O que verdadeiramente irrita são os milhares de argumentos inconsequentes com que nos chamam estúpidos e pacóvios cada vez que mais um caso é noticiado ( pura má fé, claro está).
Repare-se nas fotografias que ousamos reproduzir, sem pagar direitos de autor. ( Já outros estiveram presos por menos!!!)
Não são verdadeiras imagens de candura? E o gesto pequenino que dedilha o Senhor Primeiro Ministro em exercício? Deve querer dizer duas coisas: aceitar convites da Galp é uma pequenina bagatela e bastará um pequenino e novíssimo codigo de conduta para sanar estas pequenas leviandades.
C'o dianho. Com estas caloraças, que importância tem este lodaçal? Vamos para a praia enquanto há arribas escorreitas.

domingo, 17 de julho de 2016

Campeões: e viva a bola

Faz hoje uma semana, vivemos horas de glória: a selecção portuguesa de Futebol sagrou-se campeã da Europa, vencendo a selecção francesa por 1-0 no Stade de France, em Paris., orientada pelo seleccionador Fernando Santos. Não sendo muito dado a "futebóis" vibrei seriamente durante os noventa minutos regulamentares e os trinta de prolongamento. Foi no prolongamento que a equipa portuguesa marcou o golo que nos deu o título. Vibrei naturalmente pela capacidade de resistência e de vontade revelada pelos jogadores portugueses. Devo reconhecer que os Franceses jogaram mais para a vitória. A equipa portuguesa teve alguma sorte, mas -ao que parece - não há campeões sem um pouco de sorte. Vibrei porque lera no dia anterior o tom desprestigioso e até malcriado como alguns meios de informação franceses se referiram à selecção des petits portugais. Sem estranhar. O pretensiosismo gaulês sempre soube exibir-se no seu pior. E fá-lo com arrogância e algum despudor. Cristiano Ronaldo, o melhor jogador do mundo, foi anulado por Payet logo aos oito minutos de jogo. Lembrei-me de ter lido declarações do seleccionador Deschamps de que não conhecia meio para anular Ronaldo. Pois bem: sem querer elaborar teorias da conspiração, a verdade é que a falta foi tão evidente e tão oportuna que me pareceu claramente intencional. Apesar do esforço heróico que o capitão da selecção ainda fez para tentar superar a lesão teve de ser substituído por Ricardo Quaresma. Que fez um excelente jogo, de resto. Com garra, empenho e habilidade. O golo foi marcado por Eder, um jogador menos conhecido, mas que também fez muito bem o seu papel. Ao que parece, Ronaldo, já no banco tê-lo-ía motivado transmitindo-lhe que seria ele a marcar o golo. A ser assim, reconheçamos a força da fé e da vontade. Parece que isso mesmo foi transmitido à equipa pelo seleccionador Fernando Santos. Católico praticante, como se assume, sempre disse, apesar dos empates, consequentes críticas e talvez algum despeito que só regressaria dia 11 de Julho e campeão da Europa. Assim foi. Mas regressando um pouco à anulação de Cristiano Ronaldo. Tenho a convicção de que ele foi anulado do modo mais feio, do ponto de vista desportivo. Curiosamente, o árbitro não marcou qualquer falta. O que também diz bem da imprevisibilidade deste desporto que, em múltiplas circunstâncias substituíu as guerras tribais. Infelizmente, apesar de a Fifa, a Uefa e congéneres organizarem competições continentais e mundiais, as guerras mantêm-se, localizadas, mas persistentes. O terrorismo, esse pesadelo dos nossos dias é global. Esta semana, a França sofreu mais uma barbárie, na sua instância de férias mais conhecida. Em Nice, na marginal, a que chamam  promenade des Anglais. Oitenta e quatro mortos e centenas de feridos. Tudo deliberadamente provocado por um louco conduzindo um camião de 14 tons. Islamita radical, é claro.
Enfim, regressemos à bola que, apesar de todas as reservas quanto aos seus excessos, é um assunto mais pacífico e agradável. Foi um triunfo importante para o Futebol português. Mas não consigo deixar de sorrir com algum cinismo - confesso - perante os múltiplos actos políticos de aproveitamento do desporto, em geral e do futebol, em particular. As atitudes e os gestos do  Senhor Presidente da República Rebelo de Sousa, bem como os do Primeiro Ministro António Costa são deploráveis. E não podem ser autênticos e genuínos. Por muito que o declarem, não podem ser autênticos. Ouvindo os "discursos" do Senhor Presidente na entrega simbólica das condecorações não conseguimos deixar de considerar alguns dos seus arrufos claramente patéticos. Mas enfim. A minha admiração autêntica para o seleccionador e para todos os desportistas que defendem com brio e empenhamento o nome de Portugal. Foi o Futebol, mas também prestações briosas e vencedoras no Atletismo, em Amsterdão e ontem uma vitória também europeia, no hóquei em Patins. Para terminar e agora sem cinismo: viva a bola.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Brexit

Fui um convicto europeista. Sempre defendi que deveríamos aderir à então CEE. Não havia alternativa razoável. Nem hoje há. Devo, no entanto, reconhecer que o projecto europeu tem sido desvirtuado pelos burocratas que pensam sobretudo nos tachos que a UE proporciona. Tem-se a impressão que o indiscutível afastamento dos cidadãos do projecto da UE é totalmente indiferente às élites hipócritas que o parasitam de forma torpe e despudorada. Por isso hoje tenho muitas dúvidas sobre o futuro de um sonho que valeu a pena. Que valia a pena. Será que encontraremos dirigentes capazes de motivarem uma aproximação das instituições e dos cidadãos europeus que nos possa fazer afirmar que ainda vale a pena? Para tanto, não tenho dúvidas que é preciso alterar profundamente as regras de alguns tratados e particularmente o Euro, tal como está desenhado e posto em prática. Pode existir uma moeda única com uma sensata variação de valor de Estado para Estado.  Se assim não for dificilmente o Euro se salvará. Os britânicos entenderam este aspecto desde o início.
Como é sabido, os Britânicos votarem maioritariamente pela saída da União no passado dia 24 de Junho. Tenho pena. Apesar da sua clássica e propalada ambiguidade, o Reino Unido foi uma peça fundamental no xadrez europeu, nos momentos mais graves e decisivos da história dos seus povos.  E continuará a ser. Até no que aos vícios institucionais diz respeito e a que já me referi, o pragmatismo britânico era muito útil para travar perspectivas hegemónicas. Enfim. Julgo que o processo de saída se concretizará e que será negociado um estatuto que mantenha muito estreitas as relações entre o UK e a UE. Sou, pois,visceralmente, contra atitudes revanchistas e entendo que a vontade do RU resulta das urnas e não de "manifestações" posteriores de pretenso arrependimento. Saibamos respeitar o povo Britânico e o seu indubitável amor à liberdade e à democracia. E saibamos condenar oportunismos, como o da primeira ministra escocesa. Felizmente, parece estar assente que esse oportunismo foi entendido e será rejeitado.
Claro que a saída do Reino Unido da UE trará consequências muito relevantes. Sobretudo económicas. Mas espero -melhor - tenho a certeza que não serão tão caóticas como alguns têm querido fazer crer. As atitudes de pequenas vinganças e azedumes, como a do Senhor  Junker revelam a falta de estofo dos dirigentes europeus. Isto, sobretudo esta falta de estofo e de capacidade de liderança, foi o que, na verdade, afastou os britânicos e é ainda aquilo que verdadeiramente afasta os cidadãos do projecto europeu. A promiscuidade entre a Política e mundo financeiro, de que é mero exemplo a recente nomeação do Senhor Barroso para o Goldmann Sachs, minará o apoio popular que a UE deveria procurar acima de tudo, como  único cimento efectivo para a construção do projecto europeu.
Não houve cão nem gato que não opinasse nas ultimas semanas sobre o Brexit. Li opiniões sensatas e bem informadas e disparates de alto calibre, como mediocridades convencidas e pretensiosas, como todas as mediocridades. Tenho pena que o RU deixe a UE, repito. Mas muito mau seria criar circunstâncias artificiais para conseguir uma matreira e falsa vontade de permanência. Os britânicos retirarão lições dos seus actos. O que verdadeiramente é triste e muito grave para o futuro da UE é a percepção que todos temos de que os dirigentes comunitários nunca aprendem com coisa alguma.  Só aprendem todos os meios para tirar vantagens pessoais dos lugares que ocupam. Que pena. Um pouco de idealismo faria bem a todos.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Textos e Contextos (1)

Há meses que nada escrevinhava nos Cucos. O texto surgiu-me a propósito da polémica sobre um livro do jornalista Henrique Raposo intitulado "Alentejo Prometido". Mantenho o título porque o considero adequado a outros comentários despretensiosos ( ou apenas simplistas) sobre alguns acontecimentos recentes.
A mencionada polémica sobre o livro de Henrique Raposo é paradigmática. Patética, mas paradigmática da mediocridade casmurra  e estulta que se foi apoderando da vida pública nacional. O autor foi ameaçado nas chamadas redes sociais; o lançamento do livro foi alterado com receio de actos de violência, enfim, uma verdadeira salgalhada. Afinal, o lançamento foi apenas abrilhantado pelo cante alentejano de um grupo que quis sinalizar o seu protesto. Sejamos claros. Noutros termos: eis a declaração de interesses. Apesar de ter nascido em Trás-os-Montes, vivo no Alentejo há mais de 20 anos. Sem deixar de trabalhar em Lisboa, foi no Alentejo que investi o produto de uma vida de trabalho. Numa palavra. Gosto do Alentejo. Da paisagem e também das pessoas que julgo terem qualidade e defeitos como todas. Sou casado com uma alentejana da raia. Graças a Deus.
Parece que o capítulo mais polémico do livro será aquele em que o autor constata que o suicídio não é socialmente  reprovado, ou melhor, é compreendido socialmente. Isto a par de algumas afirmações controversas como a de que os Alentejanos são desconfiados, e outras. Importa deixar registado que o livro é uma espécie de retorno à infância do autor, através da redescoberta de sítios onde viveu ou onde viveram os seus antepassados e de uma análise actual de opiniões, sentimentos e modos de estar. O autor inquiriu pessoas, inquiriu-se sobre episódios que relembrou, enfim, fez uma trabalho meritório para exprimir uma opinião a que tem direito e válida ( a meu ver), apesar de não alinhada com a moda. O autor foi criado, ao que parece, na periferia de Lisboa, visto os seus pais terem "emigrado" para a cidade, como tantos outros alentejanos. Como jornalista, aprecio bastante o autor. Os seus artigos são incómodos e pouco consensuais. Como o livro, ao que parece. Mas não é para isso que se escreve? Não deveria ser esse um dos objectivos de toda a escrita que se preza?
Não subscrevo obviamente a opinião dos tiranetes ofendidos com as opiniões de Henrique Raposo. Mais. Entendo até que a atitude dos Alentejanos a respeito do suicídio é um elogio. Não será muito respeitável para os cânones católicos, reconheço. Mas a necessidade de acabar com a vida quando nos sentimos um fardo para os outros representa uma atitude de coragem que devemos respeitar. No mínimo.
O Alentejo é a "província" de Portugal onde os traumas históricos são, porventura, mais evidentes. "Trabalhada" durante muitos anos pelo Partido Comunista, auxiliado pela acefalia dos agrários e pela anuência imbecil da ditadura, foi lá que a chamada reforma agrária se manifestou. Nas ocupações e similares, primeiro, e nos oportunismos, fraudes e furtos subsequentes. Ninguém teve atitudes de lisura e de dignidade. Nem antes nem depois do golpe militar. Nem à direita nem à esquerda, como então se dizia e ainda se teima em dizer.
Tudo isto deixou marcas muito profundas que levarão tempo a debelar. Muito tempo. Apesar de haver pessoas com fortes sentimentos cristãos, a verdade é que a cultura árabe perdurou com maior intensidade no Alentejo do que no resto do País. Ora, para os muçulmanos, o suicídio, quando praticado em nome de Alá e para defesa da fé e do profeta, pode transformar o agente em mártir com a subsequente gratificação de 1000 virgens para pecar no paraíso. Ou serão apenas 999?
Para terminar. Henrique Raposo exprime opiniões que têm muito de correcto no que ao Alentejo diz respeito. Mas ainda que assim não fosse. Que direito têm os imbecis de só aceitarem aquilo que está de acordo com a sua imbecilidade? Porque será que para uma certa esquerda (?) a democracia e o pluralismo só é válido para os outros? Por vezes apetece dar razão ao economista: socialismo e liberdade parecem incompatíveis. Ou melhor: há pretensos socialistas que teimam em vincar essa incompatibilidade.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Digestum



A prenda de Natal de 2015 foi o caso Banif. A última vez que escrevinhei neste blog teve esse pretexto. Mais um que os prendados Portugueses, como em todos os casos bancários- e não só - pagarão com língua de palmo. Enfim, passemos a um resumo  desprentencioso dos acontecimentos posteriores.
A campanha presidencial: Foram dez candidatos ( dez?). Que grande estopada esses 15 dias! Do Dr. Nóvoa, ex-reitor da Universidade de Lisboa ( mas cuja licenciatura parece envolta em mistérios suiços para português ver), passando pelo Tino de Rans, ( Vitorino Silva)) houve de tudo. Foi penoso ouvir tantos candidatos e tantas tiradas patéticas. Durante quinze dias. É obra. Recordo ter acordado uma manhã e ouvir na RR um repórter perguntar à Maria de Belém Roseira (ex-ministra e ex-presidente do PS) a propósito de um comício do dia anterior: - Contava com uma sala meio vazia?- A sala não estava meio vazia; estava meio cheia. Ora toma! A candidata, que pretensamente disputava os votos "socialistas" com o Dr. Nóvoa acabaria com 4,24% dos votos de 48,66% de eleitores. Tal foi a participação eleitoral. Os Portugueses estão efectivamente com o saco cheio desta democracia de faz de conta.  Para que a história (não) registe: nestas eleições de 24 de Janeiro de 2016, foram estes os resultados: Marcelo Rebelo de Sousa ( 52%); António Sampaio da Nóvoa ( 22,88%), Marisa Matias (10,12%) Maria de Belém Roseira (4,24%) - repetindo -; Edgar Silva ((3,94), Vitorino Silva (3,28) Paulo de Morais ( 2, 16%), Henrique Neto ( 0,84%), Jorge Sequeira ( 0,30%) Cândido Ferreira ( 0,23%). Factos positivos: Marcelo venceu à primeira volta, o que poupou algum dinheiro e a paciência de todos, apesar do desgosto dos candidatos com a pretensão de disputarem uma 2ª volta; Marcelo fez uma campanha de rua e de café; não utilizou cartazes, outdors; não encheu as caixas de correio, não poluiu, numa palavra. E ainda assim venceu. Em virtude dos muitos anos em que foi  comentador político da (Rádio e TV),  naturalmente. A visibilidade que teve durante esses anos, fez com que o Professor de Direito Administrativo fosse muito conhecido dos eleitores, permitindo-lhe dispensar a propaganda eleitoral. Edgar Silva, o candidato do PCP foi um fiasco, naturalmente não reconhecido, como tal, pelo seu partido. Que nunca perde. Há sempre uma faceta positiva nas suas derrotas. Marisa Silva foi uma surpresa, tal como surpresa já havia sido o resultado do seu Bloco de Esquerda, nas legislativas de 4 de Outubro de 2015. O PCP, pela boca de Jerónimo de Sousa, aludiria ao facto de o seu candidato não ser uma engraçadinha. Toda a gente atribuiu a insinuação à Marisa, claro está. A verdade é que não sendo particularmente bonita, mostrou saber o que diz ( dentro do catálogo de tiradas do BE e de toda a extrema esquerda). Como candidatas eram só duas ( a Marisa e a Roseira), e a Roseira é francamente desengraçada, não poderia haver outra conotação. Para além disto, o seu resultados foi um desastre, como já dissemos, pelo que não poderia ser invejado pelo Partidão. Por aqui me fico, porque tudo isto é muito engraçadinho!
O Banco Internacional de Cabo Verde. Mais um escândalo bancário. Durante anos serviu para ocultar burlas e vigarices dos donos do BES/GES. Tendo ruído o grupo, para que serviria a sua "venda" ao ex-empresário de futebolistas de nome José Veiga? A venda acabaria por não suceder. Porque a PJ deteve o Senhor Veiga e o seu sócio Paulo Santana Lopes ( exacto, irmão dessa excelência). É a operação rota do atlântico, ao que dizem. Fortíssimas ligações ao Congo Brazaville e ao seu presidente, Denis Sassou Nguesso. Tudo boa gente. Tudo boas companhias recomendaveis por qualquer bom pai de família.
O que espanta, o que verdadeiramente espanta é que um "activo" do BES possa ainda ser vendido - como provavelmente seria - a um homem que, segundo as notícias deve ao Estado, de impostos, mais de 11 milhões de Euros. E ninguém vê? e ninguém age? Não é evidente que mais um acto inqualificável se preparava? Ao que consta - boatos é o que sempre temos, e só - o Paulo e o José não podem contactar o Relvas nem o Monteiro ( sim, o Ministro omnipotente que se demitiu e o que foi secretário de Estado e agora ganha mais de €30.000,00) com a função de vender o BES. Indigitado pelo Banco de Portugal, o qual, como é sabido, tem como lema nada saber e nada ver.
Sempre me ri das medidas de coacção tipo estar proibido de contactar com. Rio-me também desta, claro está. Mas já agora: quem dirige o inquérito é o Juiz Carlos Alexandre. Para não variar. Porque terá o Dr. Alexandre aplicado tal medida?
Há mistérios insondáveis. E há coisas tão imutáveis como as essências,  como diria o Padre da minha paróquia natal.